quarta-feira, 17 de julho de 2024

Maria Jeovanda de Matos

                                   Maria Jeovanda de Matos

Uma mulher guerreira, católica de muita fé, alegre, amiga e sempre pronta a ajudar o próximo. Filha de Seu Pedro Bernardino dos Santos e Dona Maria Vieira de Matos, nasceu no dia 02 de julho de 1942, no povoado Sítios Novos, onde mora até hoje.

  Uma mulher que desde cedo, começou a trabalhar como professora para sustentar seus filhos. Começou a ensinar no povoado Barro Vermelho, ia a pés e passava a semana na casa de uma amiga. Depois foi ensinar no povoado Catingueira, e por fim ficou ensinando em Sítios Novos, onde aposentou-se.

  Palavras da homenageada: “Tenho muito orgulho de ser professora, pois foi por amor que exerci essa profissão tão linda. Eduquei várias pessoas e que hoje são: advogados, médicos, professores e muitos outros.

  Quando perdi meu pai sofri muito, cuidei da minha mãe que era paralítica. Com muita humildade, sacrifícios, desafios e fé eu consegui criar meus 4 filhos e cuidar dos meus pais. Gratidão a Deus por tudo!”.

  Nos Sítios Novos, Dona Jeovanda é a mãe de todos, não nega nada a ninguém.

Bibliografia Delba dos Santos Ramos Gauvin


  Delba dos Santos Ramos Gauvin

 

   Nascida em 01 de janeiro de 1945, Delba dos Santos Ramos Gauvin, a oitava filha de Alzira Maria de Souza e Joventino Ramos de Souza, natural da cidade de Amparo de São Francisco, se declara filha de Canhoba, pois apenas nasceu na cidade vizinha, mas teve toda a sua vida e trajetória construída nesse município. Teve a sua infância e adolescência muito boa, junto aos seus irmãos e alguns amigos, costumavam brincar ao logo do dia, privilegiada mesmo em meio aquele tempo machista, desfrutou da liberdade e assim abraçou as oportunidades disponíveis para jovens que se interessassem a participar dos movimentos religiosos da igreja católica, e logo começou a se destacar representando os grupos vulneráveis daquela época.

   Muito proativa, sempre teve sede de saber, de conhecer, então começou a estudar, se capacitou fazendo cursos e aprimorando os seus conhecimentos enquanto viajava com os padres, pois foi nessa época (de 70), quando veio a seca, que viajou muito com o padre Nestor e padre Gregório, e dentre essas viagens adquiriu tuberculose, onde precisou ficar internada no sanatório para se recuperar, e após isso não chegou nem a terminar os estudos, parando no  “ginásio”, pois também as divergências políticas daquela época dificultavam o seu retorno com as fugas do seu pai.

   Casada com um francês missionário que veio para Propriá, o senhor Remi Gauvin, começou a entender com ele, e com os padres, como podia lutar pelas pequenas causas, empoderar os povos mais carentes e apropriá-los de terras e direitos, que naquele tempo gerava dor de cabeça nos grandes fazendeiros. Através da JAC, o movimento da juventude agrária católica trazido pelos padres, conseguiram verba financeira para comprar terras e formaram a associação que unia Canhoba e Amparo, a famosa Jaguaripe, onde foi construída a primeira ponte que foi de madeira e depois reformada pelo estado e então consolidou-se a Ponte do Jaguaripe, foi quando começaram as perseguições e mal tratos vindos dos governantes da época que temiam a revolução do povo pobre e queriam impedir que os mesmos obtivessem conhecimento, começaram as ameaças, inclusive num sábado de carnaval, a própria Delva junto ao seu marido, ficou sabendo que a ponte seria destruída as escondidas e ao saberem, foram para o local, com o único filho do casal, ainda recém-nascido e assim impediram o que seria uma tragédia para a associação. Seu falecido marido, que já partiu para os céus a cerca de 10 anos, deixou o seu legado perpetuado em sua família e a eterna gratidão de muitos amigos e associados beneficiados pela luta da causa.

   Lucas Ramos Gauvin, filho único dos ativistas sociais, veio como uma bênção, um presente inesperado dos céus, pois assim como sua irmã, dona Delba tinha problemas de fertilidade e não conseguia engravidar, foi quando então pegaram para criar o Lucas e o adotaram legalmente para que pudessem leva-lo para França. Atualmente é microempresário e carrega consigo o dom de ajudar e estar engajado em movimentos sociais.

   Muito embora tivesse tido boas oportunidades e desfrutado da liberdade, dona Delba carrega em si muitos traumas e complexos mentais desenvolvidos durante a ditadura militar, onde veio a queimar documentos das organizações, se esconder para que pudesse sobreviver, e também por toda perseguição que passou, até hoje tem pesadelos, porém, lúcida e muito corajosa, passou a cuidar da sua saúde mental com cursos de terapia e renovação dos conhecimentos, para que não parasse no tempo.

 

   Conhecida nesse município pela tão saudosa pastoral da criança, que foi fundada no Brasil em 1983 por Dra. Zilda Arns Neumann, teve umas das suas sedes em Canhoba, no antigo Centro Social São José, que atualmente é conhecido como casa paroquial, a Pastoral da Criança foi implantada nesse município por Dona Delba, que era a frente do movimento junto a outras coordenadoras diocesanas, como: irmã Estefânia, irmã Aluízia (freiras da época) e Maria de Lourdes. O objetivo de Dona Delba ao trazer a pastoral da criança era acabar com a mortalidade infantil que era comum através da desnutrição.

   Eram desenvolvidas atividades educativas em saúde, como: prevenir doenças sexualmente transmissíveis e capacitar agentes de saúde, sem deixar de destacar a prática da escrita e da leitura e educação social. No povoado Caraíbas obteve sucesso pela parceria e apoio que teve do ex-prefeito Frederico Torres, a sua esposa Almair e das suas filhas Raimunda e Lindinalva que não hesitaram em ajudar o projeto, e Zanzinha, Alberta e Neta que mantiveram a pastoral de Caraíbas ativa e tiveram a oportunidade de ter uma formação através do então prefeito na época, o senhor Frederico Torres. No povoado Borda da Mata as representantes eram Leninha e Patrícia, em Mamoeiro Núbia, em Canhoba Lurdinha de Averaldo, em Amparo quem coordenava em Maria José mais conhecida como Báia, também Clenir e Adriana, entre outras, muito grata por todas essas líderes e coordenadoras de comunidades que formavam a equipe da Pastoral da Criança, ressalta a importância de que sem elas nada teria sido possível. Foram muitas conquistas relevantes e benefícios para a comunidade canhobense: cursos de corte e costura, associação de rendeiras, hortas comunitárias e galinheiros onde obteve ajuda de Vanuzia Silva para articular entre os povoados e os motoristas Willames, José Alberto e Marcos, sempre buscando todos os recursos possíveis para suprir a necessidade e a fome das pessoas, além de trazer conhecimento.

    Uma verdadeira guerreira, Dona Delba merece todo reconhecimento por toda a sua história, os movimentos nos quais se engajou e por toda bem feitoria que fez, mesmo tendo passado por todo o sofrimento, perseguições e ameaças, a mesma ressalta que viveria tudo novamente e não se arrepende de absolutamente nada pelo o que fez em prol do bem comum, da saúde, da educação e por ter matado a fome de muitos com o famoso farelo, quem não se lembra do farelo da pastoral, certamente daqui não é!

   Para senhora Dona Delba, nosso muito obrigado e os nossos aplausos!

 

LEÔNIDA DE SOUZA TORRES


LEÔNIDA DE SOUZA TORRES

 

Vamos conhecer um pouco de minha avó paterna Leônida de Souza Torres. É muito importante conhecer a sua história. Texto muito forte. Nasceu em 10.08.1901 em Propriá – filha de Francisco Martins e Emília de Souza Martins. Tinha como apelido o nome de” Beata”, porque, além de muito fervorosa e católica praticante, era também o braço direito de todos quantos se dispusessem a cuidar da simpática Igreja Matriz de Bom Jesus dos Pobres. De família humilde, proveniente de Propriá, era mulher prendada, educada, boa filha, estudou e concluiu o primário na cidade onde nasceu. Mesmo somente com o curso primário alfabetizou várias pessoas quando do seu casamento em 1917 aos 16 anos com o jovem comerciante Antônio Torres Neto com 24 anos. Veiou a residir em Canhoba. Boa esposa e mãe, além de muito caridosa e uma exímia violinista, fato inédito naquela época. Beata teve apenas uma irmã, Hermínia de Souza Guimarães.  Beata, casada com Antonio Torres Neto, teve vários filhos. Sua irmã, casada com Cupertino de Santana Guimarães, teve somente uma filha, Emília, a quem todos chamavam, carinhosamente, “Milinha”. (Tocava flauta). Dona Beata, teve 12 filhos, porém, desses, só viveram nove: Delorisano de Souza Torres, Aldemira de Souza Torres, Mirabel de Souza Torres, Antônio Torres Júnior, Maria Auxiliadora Souza Torres, Ida de Souza Torres, Jacob de Souza Torres, Job de Souza Torres e Arquibaldo de Souza Torres. O tempo passa. Entra ano e sai ano. O nosso avô paterno Antônio Torres Neto agregando seu lado comerciante tornou-se um pecuarista, empreendedor e principalmente um político renomado. Foi vereador, prefeito, elegeu uma filha de nome Ida de Souza Torres a vereadora e tronando-se a primeira mulher a ser presidente da Câmara Municipal de Canhoba. Elegeu dois filhos. Um filho de nome Arquibaldo de Souza Torres para prefeito Municipal de Canhoba. O outro filho por quatro legislatura seguidas de 1955 a 1970 o Bacharel em Direito e professor de História: Antônio Torres Junior. A casa amarela foi palco de comícios, encontros políticos de governador, prefeitos, deputados. Acordos, muitas alegrias e muitas tristezas. Dona Beata sempre recepcionando muito bem todos aqueles que chegavam em sua residência com seus quitutes, e mesa com muita fartura. Podemos dividir sua história em dois momentos: Primeira parte: Seu casamento, os filhos, ascensão econômica e política do esposo, casamentos dos filhos e filhas. Festas e festas. Seu último sorriso em 27.12.1966 no aniversário de 15 anos de sua neta Ângela Margarida de Araújo Torres. Ao ser beijada por seu filho o deputado Antônio Torres Junior. Ao lado de seu outro filho Job de Souza Torres, sua esposa Ana Maria Gomes Torres e ao lado do deputado eu (Ângelo Mauricio com 12 anos de terno e gravata olhando para meu pai).  Visita após o casamento do seu filho Jacob de Souza Torres com sua esposa Maria do Carmo Abramides de Souza Torres e filhos (Marcelo, Maria Fernanda e o primo Fabio Abramides) residentes em São Paulo/SP. Visitas periódicas dos netos(as). Segunda parte: Pois morte de seu filho Antônio Torres Junior. (21.12.1967). O SORRISO de nossa avó Beata desapareceu. O tempo foi cruel para ELA. Do falecimento de seu filho Toinho em 1967 até seu falecimento em 1981 foram 14 anos de dor, tristezas, recordações, saudades. Em 27.05.1967 seu filho Job de Souza Torres (um CHOQUE ANAFILATICO OU ANAFILATICO OU PRÉ ASSASSINADO). Em 13.11.1967 perdeu seu cunhado Temístocles da Rocha Torres (assassinado).  Seu filho o deputado estadual Antônio Torres Junior em 21.12.1967. (Assassinado) Seu esposo/companheiro Antônio Torres Neto fisicamente em 21.12.1967 e biologicamente em 17.10.1968 vítima de um (AVC) Seus cunhados Juvenal da Rocha Torres em 11.01.1973 e Florisvaldo da Rocha Torres (Caretinha) em 09.09.1975. Só restou SAUDADES dos seus BORDÕES. O Santo Cruzeiro era de madeiro. Em 14.04.1960 ventava e chovia muito em Canhoba devido aos ventos e chuta forte o Santo Cruzeiro veiou a cair. Minha avó paterna Leonilda de Souza Torres (Beata) que passava no local gritou: “Valei-me Deus caiu o Santo Cruzeiro.” Quando chamava a filha de Jose Rozendo de ONTOIA pegue meu casaco no meu quarto. Antônia ficava apavorada. Pois reza a lenda que no quarto de vó Beata tinha uma BOTIJA. (Um pote de ouro) (Nome correto da filha de Jose Rozendo:   Antônia). Saudades de quando ELA reunia as crianças Antônia, Jussara, Pedro filhos de Jose Rozendo e Maria Amélia. Flávia, Melissa filhas de seu filho Arquibaldo e Maria Helena para dá uns trocados para irem gastar na feira municipal e nas festas Natalinas.   Das broncas de nossa avó Beata quando entrávamos na cozinha enquanto ela fazia doce de leite de bolotas. “- Saiam daqui meninos, se não o doce desanda”. Chamava seus serviçais Beta, Vanda e Leuzina, e dizia: “não deixem esses meninos entrarem na cozinha. Quando o doce estiver pronto, sirvo a eles com queijo”. Uma saudade, no entanto, de nunca a ter visto tocar o seu violino, que ficou esquecido por conta dos seus muitos afazeres domésticos. SAUDADES da mesa farta no café da manhã. Nos anos de 1975/1980 quando tia Ida de Souza Torres e passar férias em Canhoba com a família o primo Milton dos Santos Filhos juntamente com os amigos de infância: Jose Rozendo de Souza Filho (Zezão), Ailton filho de Cícero Buraqueiro, Osman (filho de Juarez) e Baguel (filho de Batistão do violão) gostavam de bater bola no deposito ao lado da casa amarela pertencente a nossa família. Minha avó Beata gritava para o primo Milton: “Menino você tem o espírito de Corina”. Até hoje ninguém sabe que era Corina. KKKK. SAUDADES de presenciar todas as manhãs, ao chegar o leite das fazendas, a nossa avó sentada no seu banquinho, no depósito ao lado do casarão, vendendo o leite. Dinheiro em uma caixinha e leite fresquinho nos vasos ou panelas das pessoas que lá chegavam. Presenciei uma cena muito forte e humana por parte de nossa avó. Entrou uma criança, e falou bem perto dela: “- meu pai falou que hoje não tem dinheiro. A senhora me dá uma garrafa de leite?” De imediato ela exclamou: “- João Pequeno, me traga uma vasilha de quatro litros”. Imediatamente foi atendida. Ali ela colocou o leite, e solicitou ao João Pequeno que levasse o leite e a criança em casa. “- Diga ao pai dela que quando não tiver dinheiro pode vir buscar o leite de seus filhos.” Uma vez perguntei a nossa avó Beata porque ela tinha sempre uma lágrima nos olhos e o sorriso longe. Ela respondeu: “meu neto, o Canhoba e nossa família não será mais o que éramos”. Referia-se ela ao sombrio e fatídico dia 21 de dezembro de 1967, uma quinta feira. “Estou sempre pensando em meu filho TOINHO, seu pai. Por que fizeram isso com ele?” E a lágrima vinha novamente, e ela me abraçava. Carinhosamente. Presenciei uns dos seus piores momentos e todos que estavam presentes no dia 17.10.1968 na Casa Amarela. Chegado o momento da despedida no fechamento do caixão e enterro de nosso avô Antônio Torres Neto.  Minha avó Beata grita: “TOINHO NÃO ME DEIXE SÓ NESTE MUNDO. Já enterrei 02 filhos nosso: Job e Antônio, meu cunhado Temístocles e agora você meu companheiro!” Veiou lágrimas em nossos olhos. Minha mãe me abraça forte. Minhas tias: Ida, Aldemira, Mirabel, Maria Auxiliadora amparam minha avó. Tampam o ataúde do PAI DA POBREZA DO CANHOBA. O cortejo sai da Casa Amarela em direção ao cemitério de Canhoba. Na tarde de 05/03/1981. Nossa avó Beata estava descansando na calçada da Igreja Bom Jesus dos Pobres na companhia de Generosa Moraes Dória (Zizi) e Leuzina governanta da Casa Amarela. ELA começa a sentir um dor no peito e muita gastura. Zizi pede para chamar Jose Rozendo na exatoria. De imediato ele chega e percebe que Dona Beata não está bem. Pede socorro a Theófilo Custodio Divino que de imediato pega o veículo V.W Brasília do irmão Lauro Custodio Divino e levem Dona Beata para o hospital em Propriá juntamente com Zizi. Ao colocarem ELA no carro a mesma pega a mão de Jose Rozendo e exclama: Meu filho Jose eu vou e não volto mais) Chegando em Propriá mandam levar para Aracaju.  Foram correndo para Aracaju. Ao chegar no Povoado Cruz das Donzelas distante de Propriá uns 25 Kms. Dona Beata dá seu último suspiro e vem a falecer no colo da prima Zizi. Desespero! O que fazer! Theófilo vai ao posto da Polícia e pede ajuda. Passam um rádio para o Posto Policia em Canhoba e avisam a Jose Rozendo que entra em pranto. O Canhoba silencia.  E seguem para Aracaju para casa de Tia Ida para os procedimentos de (IML).........À tardinha já quase noite retornam para Canhoba no Carro (Kombi) fúnebre da Funerária Satélite de seu Hugo. O corpo de nossa avó Beta foi velado na sala principal da Casa Amarela. No dia seguinte segue o cortejo até o Cemitério onde encontra-se o Mausoléu da família TORRES.  (Encontra-se adormecida juntamente com seu esposo/companheiro Antônio Torres Neto e seus dois filhos Job de Souza Torres e Arquibaldo de Souza Torres. E sua concunhada Jeovanete Vieira Torres. Assim foi Dona Beata. Faleceu a Matriarca da família em 05.03.1981 aos 80 anos. Só lembranças, dor e saudades.